Funchal Baroque Ensemble

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O “Funchal Baroque Ensemble” (FBE) foi criado em maio de 2013, com a designação de ensemble “O Sonho de Orpheu” e surgiu em regime de parceria com a Associação Orquestra Clássica da Madeira (AOCM).

Inicialmente era composto por flautas de bisel (Sara Freitas Faria), bandolim e bandola (Norberto Gonçalves da Cruz), violoncelo (Mikolaj Lewkowicz) e cravo (Giancarlo Mongelli). Entre 2014 e 2016, após a saída de Norberto Cruz, foi aumentando a sua constituição instrumental com Alexandra Vieira e Sandra Sá nos violinos e Yury Omelchuk no fagote. Em 2018, após um interregno de dois anos, voltou ao panorama musical madeirense. Desde então, a sua instrumentação e número de elementos varia de acordo com as necessidades do repertório proposto, apresentando-se, deste modo, ao público em variadas formações instrumentais. No seu número máximo de elementos o FBE é composto por 14 músicos, cuja constituição instrumental compreende: 2 oboés e duas flautas de bisel, 4 violinos, 1 viola de arco, 2 violoncelos, 1 contrabaixo, 1 fagote e 1 cravo ou órgão. A direção musical deste grupo de música barroca é da responsabilidade do cravista Giancarlo Mongelli.

O projeto surgiu com o intuito de criar ciclos de concertos comentados, e/ou descritivos (de caráter ilustrativo ao público em geral), com incidência na música antiga, em especial do período barroco, que compreende os séculos XVII e XVIII.

Tem sido ideia de o ensemble realizar uma interpretação musical historicamente informada das obras propostas, dinamizar vários tipos de repertório instrumental e vocal, recorrendo, por vezes, a outros músicos, ou artistas, com a intenção de enriquecer a temática de cada recital, de forma a valorizar e abranger o repertório musical da época pretendida. O grupo visualiza, igualmente, dinamizar e valorizar o património cultural e histórico, em várias vertentes artísticas. Ou seja, a partir de uma determinada época, monumento, pintura ou outra fonte artística criar um repertório musical que enalteça essa mesma característica.

A parceria com a Associação da Orquestra Clássica da Madeira surge no sentido de: Representar condignamente a referida Associação, através de eventos efetuados por músicos especializados no repertório acima descrito.

Desde a sua fundação o grupo realizou variados ciclos de concertos e participou em diferentes projetos. Os concertos tiveram lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, na Assembleia Legislativa da Madeira, Museu de Eletricidade – Casa da Luz, Igreja Presbiteriana da Madeira, Capela de S. Sebastião na Ponta do Sol,Teatro Municipal Baltazar Dias e em diversas igrejas da Madeira sendo todos estes espaços caracterizados por uma acústica adequada aos instrumentos intervenientes.

 

Esses ciclos foram:

1. As Extravagâncias de Orfeu

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Este ciclo, realizado entre junho e julho de 2013, compreendeu a interpretação de dois repertórios distintos e teve a flautista Carla Abreu como convidada.

A temática prendeu-se com a época a que o grupo se propôs interpretar, uma vez que o conceito de extravagância se encontra implícito no termo "Barroco", entendido como excesso, capricho e quebras de regras.

Assim, o repertório de a “Extravagância de Orpheu” foi dedicado a este período musical ilustrando os vários aspetos que caracterizam a excentricidade dessa época.

O ensemble “O sonho de Orpheu” apresentava-se, no início da sua formação, com uma componente instrumental diferente, quando comparado com os grupos tradicionais desta época, reunindo instrumentos que raramente se encontram. Assim, as várias adaptações feitas às peças propostas pretendiam realçar os aspetos extravagantes que lhe foram atribuídas.

O que mais contribuiu para conotar de "extravagante" a música barroca foi o elevado nível técnico dos compositores, uma vez que os mesmos também eram instrumentistas: Vivaldi no violino, Telemann na flauta bisel, Chédeville na sanfona e na gaita-de-foles e Couperin no cravo, conseguiram, nas suas obras, explorar sonoridades, timbres e efeitos sonoros, nunca antes escutados.

Se a esta componente técnica e virtuosística associarmos a utilização de temas, tais como: a natureza (La Primavera), personagens e figuras históricas (Les prénoms e Les fastes de la grande et ancienne Mxnxstrxndxs) e ambientes rústicos e populares (Ballet de village, "Le mirliton" e Gypsy Sonate), o efeito de extravagância e excentricidade consegue ser bem evidente.

2. Outonos de Vivaldi

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“Outono!

Estação de transição! Verão versus Inverno! Calor versus frio! Dia versus noite! Tranquilidade versus ansiedade! Bonança versus tempestade! Fim de férias! Regresso às aulas! Regresso ao aconchego! Vindimas! Encontros! Romantismo! Cor! Melancolia!

Assim se caracteriza o Outono! Assim se vive esta estação! “

Este foi o mote criado pelo ensemble para o seu segundo ciclo que ocorreu no outono de 2013.

O grupo dedicou este ciclo inteiramente a obras descritivas e com traços melancólicos de Antonio Vivaldi. Assim, a versatilidade harmónica e melódica deste compositor foi homenageada num concerto em que o conjunto pretendeu, através da utilização de alguns cenários e projeção de imagens (elaborados por Fabian Contreras), envolver o público num ambiente de Outono.

“A proposta Artística inserida nos ciclos de música barroca do grupo “O Sonho de Orfeu” visa em criar uma simbiose entre a música e arte, que irão confluir num único espaço cénico, aliados de elementos vegetativos e meios digitais criando envolvência entre o público e as peças a serem tocadas pelo mesmo grupo.

O Teatro Barroco serve de conceito para a execução das peças, que serão feitas em cartão, a fim de serem de fácil manuseamento.” Fabian Contreras.

3. Haendel & Purcell: Sinfonias e Árias de Ópera

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Este ciclo foi realizado entre janeiro e março de 2014. Mantendo a ideia inicial de realizar ciclos de concertos temáticos, o grupo interpretou, desta vez, árias e sinfonias dos compositores George Friedrich Haendel e Henry Purcell, com a intervenção vocal de Moisés Freitas. Através destas melodias, foi intenção de “O Sonho de Orpheu” criar um ambiente à volta das figuras mitológicas e bíblicas tão presentes nas óperas e oratórios do período barroco, contando, para isso, com o elemento dramático além do musical.